A CIDADE COMO ESPAÇO DE BATALHA URBICIDA

Nome: Márcio José Mendonça
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 30/08/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Cláudio Luiz Zanotelli Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Cláudio Luiz Zanotelli Orientador
Eneida Maria Souza Mendonça Examinador Interno
Pablo Silva Lira Examinador Externo
Paulo César Scarim Examinador Interno
ROGÉRIO HAESBAERT Examinador Externo

Resumo: O presente estudo aborda a forma como a guerra moderna tem sido travada em terreno urbanizado, sobretudo nas grandes cidades, considerando a alta complexidade que o cenário urbano oferece, em virtude de todo o seu processo de urbanização, como um campo de batalha tridimensional que se dá em ruas e vielas, túneis subterrâneos, áreas verticalizadas etc. As cidades, o estudo demonstra, estão sendo configuradas como espaços de batalha, onde se desenvolvem práticas urbicidas como políticas de guerra para inviabilizar a presença nas cidades daqueles que são considerados inimigos. No que diz respeito aos diferentes cenários de conflito urbano, a pesquisa utiliza-se dos casos verificados em outros países em interface com o caso brasileiro, em específico Rio de Janeiro e Vitória, que oferecem aporte de análise e evidências empíricas capazes de demonstrar que vivenciamos um processo de retomada da militarização da cidade, no qual a cidade em si se confunde e é, mesmo, pensada como espaço de batalha do ponto de vista de exércitos regulares e grupos armados com domínio de território. Estes mostram a transformação da cidade como um todo num palco de conflito complexo que envolve práticas destinadas, no fundo, além de vencer o inimigo, a destruir o seu habitat, negando-lhe a cidade. Assim, o que estamos vendo nos conflitos recentes, em diferentes locais, é um processo de destruição da urbanidade da cidade, com o objetivo de negá-la ao inimigo, ou seja, criar uma situação de “genocídio urbano”, o qual diferentes autores têm definido como urbicídio, isto é: a negação deliberada ou a simples destruição da urbanidade que propicia a vida na cidade. No caso do Rio de Janeiro e no de Vitória, embora aí não se dê uma “guerra declarada” e de alta intensidade – o urbicídio propriamente dito –, a pesquisa lança uma reflexão sobre uma estratégia de segurança que se transfigurou previamente numa política de combate à população moradora de favelas e bairros populares. Moradores de bairros populares são, na conjuntura política e social brasileira, associados a bandidos e assim vistos como inimigos do país. Hoje o cenário real alcança o patamar de espoliação urbana de grupos vulneráveis exercida pela atividade empresarial do ramo imobiliário e por grupos armados atuantes na cidade. Tanto os ramos imobiliários como os grupos armados, cada vez mais pulverizados, exercem controle territorial sobre os recursos e sobre a infraestrutura urbana, essenciais à vida ordinária na cidade.

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